2017 pode ser marcado como o ano da superação da mais extensa recessão da economia brasileira. No período de julho a agosto deste ano, na comparação com o trimestre anterior, o PIB apresentou sua terceira taxa de crescimento positivo, conforme as estimativas do IBGE. O gráfico abaixo mostra a variação trimestral do PIB desde o 4º trimestre de 2014, quando havia ocorrido a última variação positiva antes do período de 8 trimestres seguidos de redução do PIB.
A economia na rota do crescimento
Depois de dois anos de recessão, a economia voltou a crescer. Na comparação com o trimestre anterior, o PIB cresceu 1, 3% no primeiro, 0,7% no segundo, e 0,1% no terceiro trimestre deste ano.

Do lado da oferta, o PIB é composto pelos setores da agropecuária, da indústria e dos serviços. A desaceleração da taxa de crescimento do PIB ao longo do ano responde ao comportamento do setor de agropecuária que havia exibido extraordinária taxa de 12,9% de crescimento no primeiro trimestre, por causa da colheita da supersafra de grãos no período 2016-2017. Nos dois trimestres seguintes houve queda na contribuição deste setor: -2,3% no segundo e -3,0% no terceiro trimestre deste ano. A indústria, que vinha tendo quedas consecutivas nos anos anteriores, cresceu 1,4% no primeiro trimestre, sofreu queda de – 0,4% no segundo, recuperando seu crescimento no terceiro trimestre (0,8%).

Dados do mês de outubro do próprio IBGE confirmam a recuperação da produção industrial, que cresceu 0,2% em relação ao mês de setembro e acumulou 1,9% de crescimento ao longo do ano. Os serviços, que respondem pela maior parte do PIB, cresceram 0,3% no primeiro trimestre, ampliando este crescimento para 0,8% e 0,6% nos trimestres seguintes. Merece destaque o crescimento do comércio que de 0,2% no primeiro trimestre pulou para 2,2% e 1,6% nos trimestres seguintes, sendo o principal setor do lado da oferta a garantir a expansão do PIB em 2017.

Do lado da demanda, o PIB é composto pelo consumo das famílias e do governo, pelos investimentos e pelo saldo entre as exportações e as importações. O consumo do governo tem se reduzido ao longo dos anos em razão do desequilíbrio fiscal, ao passo que o consumo das famílias tem sido o principal fator a contribuir com o crescimento do PIB este ano. No primeiro trimestre, cresceu 0,2% e 1,2% nos dois trimestres seguintes. O crescimento do consumo das famílias tem sido impulsionado, principalmente, pela queda da inflação, que tem o mesmo efeito de um aumento da renda disponível das famílias, e pelo aumento gradual da oferta de crédito para as pessoas físicas.

Merece destaque o retorno do crescimento dos investimentos. A formação bruta de capital fixo, que representa os investimentos, depois de uma queda de -0,6% no primeiro trimestre e de crescimento nulo no segundo trimestre, cresceu surpreendentes 1,6% no terceiro trimestre deste ano. Essa é a principal novidade nos dados do PIB no terceiro trimestre, sugerindo a possibilidade real de continuidade na trajetória do crescimento da economia nos próximos meses.

Na comparação anualizada, isto é, comparando-se os últimos quatro trimestres com os quatro trimestres imediatamente anteriores, conforme mostra a gráfico a seguir, pode-se ver a evolução do PIB nos últimos anos.
A economia na rota do crescimento

 

A queda iniciou-se ainda no segundo trimestre de 2011. Em 2013 houve uma pequena recuperação, antes do mergulho profundo a partir de 2014. A recessão atingiu o “fundo do poço” no segundo trimestre de 2016, quando a redução anualizada do PIB chegou a -4,8%, A partir de então, as reduções foram diminuindo trimestralmente até chegar, no terceiro trimestre deste ano, a -0,2%. A leitura desse gráfico sugere que no final de 2017 a variação anualizada do PIB será certamente positiva.

O mercado projeta um crescimento no intervalo de 0,75% e 1,2% para este ano e crescimento ainda mais robusto para 2018, indicando que a recessão ficou efetivamente para trás. Contudo, além de 2018 as incertezas sobre o desempenho da economia são maiores. O desequilíbrio estrutural das contas públicas e suas consequências para a relação dívida pública/PIB continuam sendo as maiores vulnerabilidades da economia. As soluções para esses problemas advirão das escolhas que o país fará nas eleições do próximo ano.

 

Por Paulo Paiva – professor associado da FDC

Extraído: LinkedIn – Fundação Dom Cabral https://goo.gl/R3BngB