A TECNOLOGIA E O FUTURO DO EMPREGO

 

Em 1970, Marvin Minsky profetizou que em no máximo oito anos, mais máquinas inteligentes existiriam no lugar de humanos nos postos de trabalho. Em 1980, Gail Schwartz escreveu que 20% dos trabalhadores mundiais não teriam emprego em dez anos. Já Nil Nilson, propôs em 1984 que o pleno emprego não aconteceria jamais, dado o avanço tecnológico. Todos estavam errados.

Recentemente, personalidades relevantes escreveram profecias similares às citações acima, indicando novamente o fim do emprego, dados os avanços tecnológicos. Professores de universidades prestigiadas, bem como editores da revista The Economist e CEOs de empresas importantes estão nesta lista.

No entanto, o que pesquisas importantes nos dizem sobre os avanços da tecnologia e o futuro do emprego? Dados recentes publicados pelo Professor Robert Atkinson sugerem que as previsões sombrias quanto aos avanços da tecnologia e o futuro dos empregos são duvidosas, no mínimo.

Nos últimos anos, a taxa de ocupação de empregos nos Estados Unidos tem aumentado significativamente. Os períodos com menor geração de empregos têm relação direta com problemas de produtividade da economia e não com os avanços da tecnologia. Curiosamente, a economia americana criou mais postos de trabalho entre 2010-2016, justamente a época de grande crescimento dos sistemas computacionais e das empresas do Vale do Silício.

Também para o Professor Manuel Trajtenberg, as tendências quanto ao futuro do emprego são positivas. Isto é, a preocupação deveria ser com a qualificação de mão de obra e não com o desemprego. Suas pesquisas indicam que as novas tecnologias ainda demorarão muitos anos para adquirir maturidade e que ainda não estariam trazendo redução de custos para as empresas. Provavelmente, o maior impacto esteja relacionado aos trabalhadores com funções repetitivas, apesar da tendência de complementariedade com o uso de tecnologia.

Diversos relatórios publicados pelo Banco Mundial indicam a necessidade de maior qualidade na educação e nos programas de treinamento oferecidos pelas empresas. A mão de obra deveria estar habilitada em temas como solução de problemas, pensamento crítico, comunicação, tomada de decisão em grupo, criatividade, empatia e conhecimentos computacionais. Todos estes temas associados, poderiam estimular novos postos de trabalho e uma nova dinâmica empresarial.

Finalmente, o economista Robert Gordon, indica que o maior desafio deveria ser a retomada dos investimentos em capital físico, inovação, qualificação de pessoal e eficiência em gestão, este último item, com grande participação nos ganhos de produtividade. Todos estes fatores combinados gerariam crescimento e novos postos de trabalho. Analisar isoladamente a tecnologia seria um erro ingênuo, pois o grande determinante para a manutenção do emprego é a economia e seu pleno funcionamento.

Por Hugo Ferreira Braga Tadeu, professor e pesquisador e Rodrigo Penna, bolsista da FDC
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