Há um ditado que diz que contratos são desnecessários para negociar com pessoas honestas e completamente inúteis quando lidamos com as desonestas. No universo das corporações, a preocupação com mecanismos de controle vem ganhando uma importância cada vez maior.

Regras mais rígidas para a entrada e permanência em segmentos diferenciados para investidores – como a lista do Novo Mercado da Bovespa – e a crescente pressão de governos e sociedade por mais transparência foram alguns dos componentes para o crescimento das práticas de compliance e para o crescimento acelerado dos conselhos de administração e de mecanismos de governança nas empresas brasileiras.

Esse processo teve como gatilho o período de abertura econômica no Brasil e, no cenário externo, o início do processo de globalização, nos primeiros anos da década de 90. Repentinamente, as empresas nacionais viram-se forçadas a ampliar seus níveis de competitividade frente aos concorrentes externos.

Nessa abertura, emergiu o conceito de governança corporativa, cujo objetivo inicial era o de implantar modelos de gestão que tornassem as companhias capazes de gerar valor aos acionistas, sócios, investidores e demais públicos de interesse.

Para obter um alto desempenho sustentável e, com isso, a almejada longevidade, a família empresária precisa dedicar seus esforços ao fortalecimento de cinco pilares. O primeiro é a coesão familiar, que trata da união em torno do propósito, dos valores e dos objetivos da organização. O diálogo é o instrumento para alinhar expectativas e trabalhar os pontos de desconforto, visando ao fortalecimento dos laços afetivos e à aposta efetiva no negócio.

No segundo pilar, a governança familiar: cuida-se da instituição de políticas e acordos, como o protocolo familiar, e de estruturas, como o Conselho de Família, que promove discussões importantes que impactam os negócios. A base das decisões são a justiça e a equitatividade, fatores essenciais para o comprometimento de todos os familiares com a empresa.

Familiares preparados e contributivos formam o terceiro pilar. Eles precisam ser competentes para atuar no negócio, seja diretamente na gestão, seja como acionistas. Ambos os casos demandam identificação com o negócio e competências técnicas e comportamentais para as responsabilidades que lhes são atribuídas. Coaching e programas de desenvolvimento de acionistas e herdeiros são indicados nesse caso.

As Bases do Sucesso da Empresa Familiar

 

Já o quarto pilar do alto desempenho sustentável é a governança corporativa, que tem como propósito estabelecer limites formais entre a gestão dos negócios e a família. Acordos de acionistas são instrumentos essenciais, pois estabelecem regras que alcançam as gerações atual e futuras. Esses acordos tratam da sucessão, da política de dividendos, das condições de entrada e saída de familiares da sociedade e de outros aspectos essenciais. É importante também que a empresa possua fóruns específicos de governança, como um Conselho de Administração. A capacitação dos executivos compreende o quinto pilar. Sejam os executivos familiares ou de mercado, é fundamental ter um time altamente competente, que atenda às demandas do negócio e que também seja alinhado com os propósitos e objetivos da família empresária. Concluindo, o desafio está no esforço e na competência da família para lidar com todos os cinco pilares propostos acima, que constituem a base para o sucesso de longo prazo da empresa familiar.

Referência: Danielle Quintanilha e Adriano Salvi são professores convidados da FDC e escrevem a Coluna Família S/A – Revista ES Brasil – edição 140, página 42

Relevância

No PIB do Brasil

Empresas familiares respondem por 62% do PIB brasileiro e pela geração de mais de 60% dos empregos formais. Pesquisa realizada pela KPMG em 2016 atestou que, para 99% desses empreendimentos, os temas mais importantes para o sucesso do negócio são a separação dos interesses do negócio e da família e uma governança estruturada.

Extraído da Revista ES Brasil – edição 140, página 42