Em alguns filmes e séries a figura do chefe é associada a aspectos negativos, como arrogância e agressividade. Não por acaso nos acostumamos com essa associação, como se fosse natural para uma pessoa que está em um cargo de autoridade tratar com desprezo quem está abaixo dele. Um alto executivo tinha permissão para ter esse tipo de comportamento, mas o mundo dos negócios mudou e, com essas mudanças, outras qualidades são exigidas de quem está no comando.

Novas características de um alto executivo

Estar em um cargo de comando tornou-se merecimento. Se antigamente não era incomum ver pessoas ocuparem postos de liderança por questões particulares, como ser parente de alguém importante, hoje esse tipo de ascensão não é bem recebida nas empresas.

Uma das principais razões é que um alto executivo deve estar preparado para o cargo, caso contrário não terá como tomar decisões rápidas, porém eficazes – algo que é exigido de quem comanda.

Além disso, para que suas orientações sejam levadas em consideração é necessário que a equipe respeite sua autoridade, de modo que, ao perceberem que ele ocupa o cargo por ter capacidade técnica suas decisões não serão questionadas.

Capacidade de se adaptar às mudanças

A internet modificou de forma profunda o modo como nos comunicamos, por isso empresas com décadas de mercado foram obrigadas a realizar alterações. Esse cenário obrigou os líderes a manterem uma postura receptiva com possíveis novidades, afinal, realizar alterações depois de todos os outros concorrentes deve ser evitado. O alto executivo deve fazer com que novas tecnologias favoreçam seus negócios.

Saber lidar com pessoas

O fato de não estar diariamente com os outros colaboradores, realizando as mesmas funções, não pode dar ao executivo a ideia de que seu trabalho é à parte, ou seja, não tem relação direta com as outras atividades desenvolvidas na empresa.

Muito do que o empreendimento consegue tem a ver com o capital humano, por isso quem está em posição de liderança deve estar atento ao que os colaboradores têm a dizer, pois eles podem ter uma opinião reveladora, nem sempre visível em gráficos e/ou pesquisas.

Não menos importante é o fato de conseguir se comunicar com clareza com as pessoas, de modo que elas entendam a importância da tarefa desempenhada, e como ela está incluída nos objetivos da empresa. Isso só será possível se o alto executivo conseguir a atenção dos outros profissionais. A postura arrogante, autoritária, ou que menospreze o trabalho que exige menor grau de escolarização tende a criar um abismo entre a equipe. Algo difícil de superar e que afeta a produtividade.

Por isso, o executivo deve manter uma comunicação empática, desde o primeiro momento em que entrar na empresa.

Busca constante por conhecimento

Como já mencionado neste artigo, as mudanças no mundo dos negócios foram rápidas e exigiram uma reciclagem dos altos executivos, que passaram a realizar cursos de aperfeiçoamento.

Acreditar que apenas a graduação, cursada na década passada, será capaz de dar ao profissional todas as informações que serão dele exigidas é um engano.

Quem está no comando deve apresentar as novidades à equipe, e não ser surpreendido por elas, deixando claro um descompasso com as novas tendências.

O que é o CEO 1.0 e 2.0?

Para que fique claro as razões que exigem de um alto executivo a necessidade de sempre buscar conhecimento – seja por meio de uma pós-graduação, ou cursos em sua área – temos que definir os tipos de executivos que as empresas podem possuir.

O CEO 1.0 é um profissional industrial. Ele aprendeu a identificar seu público-alvo por meio de métodos tradicionais, como pesquisas, por exemplo.

Além disso, o modo como realiza suas atividades também é mais conservador, evitando o uso de tecnologia – a não ser que seja inevitável.

Por sua vez, o CEO 2.0 tem uma postura mais segura com relação à tecnologia, pois ele é pós-industrial.

Esse tipo de profissional percebeu que o investimento em tecnologia – assim como assimilação dela em processos antigos da empresa – trará melhora nos serviços e, deve, portanto, ser realizado sempre que houver uma oportunidade.

Um bom exemplo seria o setor de varejo. Muitas empresas investiram em venda on-line, e hoje parte de sua renda vem desse mercado. Outras, porém, não conseguiram fazer o investimento em novas tecnologias há tempo.

Um case interessante é a gigante da internet Yahoo. A empresa americana teve a oportunidade de comprar, por um bom preço, empresas que hoje valem mais que ela própria, como o Facebook e o Google.

Além disso a empresa entrou no ramo das redes sociais depois dos concorrentes, ao adquirir o Tumblr, que já perdeu 60% do seu valor, revelando-se um mau investimento.

No entanto, a empresa foi rápida ao comprar parte da Alibaba, responsável por um dos mais bem-sucedidos negócios de comércios on-line do mundo.

Esses exemplos nos ajudam a entender como a diferença entre os tipos de executivos podem influenciar o futuro das companhias em que eles trabalham.

Jovens como altos executivos

Uma outra mudança já reconhecida nas empresas é a presença de jovens em cargos de liderança. Isso ocorre de forma natural, desde que o candidato esteja preparado para lidar com os desafios que o cargo exige.

Diversas companhias vêm nesse tipo de profissional a capacidade de entender os novos rumos do mercado e, até mesmo, prever tendências de consumo e comunicação.

Se antigamente a pouca idade era associada à imaturidade, ou despreparo para cargos de chefia, hoje esse tipo de pensamento não se mostra válido.

Isso não significa que profissionais mais maduros estejam sendo dispensados pelas empresas, apenas revela que no mundo dos negócios a antiga associação de quanto mais velho mais experiente já não é realidade. Executivos mais velhos, que voltaram a estudar e buscam entender os novos desafios do mercado sempre despertarão o interesse das companhias.

O que não pode, em nenhuma área, é o alto executivo se acomodar. É preciso um comprometimento com a própria carreira.