"Não vim aqui trazer a fórmula mágica da inovação, mas propor uma reflexão sobre o porquê dela ter se tornado tão importante no ambiente corporativo e, mesmo assim, ainda estar sendo pouco aprofundada em termos de processo e desenvolvimento".


As palavras acima são da Doutora em Competitividade e Inovação, e professora convidada da Fundação Dom Cabral Solange Mata Machado. Convidada para a Oficina de Trabalho Inovação e Crescimento: Fortalecendo o Ambiente de Negócio e o Desenvolvimento Sustentável, uma realização do Comitê de Inserção Competitiva? do Espírito Santo em Ação, ela apresentou a palestra "Inovação, Mudanças e Crescimento", que deixou muita gente meio "aturdida" com a gama de informações e novidades tecnológicas que já fazem parte do mundo. O evento foi realizado na tarde desta terça-feira, 11 de julho, no Auditório do Sicoob, em Vitória.

Terminada a palestra, em que abordou temas como competitividade, educação, inovação, tecnologias exponenciais, inteligência artificial e startups, a professora aceitou participar de um rápido bate-papo com nossa equipe e voltou a alguns assuntos básicos tratados na apresentação. Confira!

Competitividade, educação e inovação - "Quando você educa, abre a capacidade do outro para inovar. A educação vem antes de tudo e precisa ser voltada para o mundo tecnológico. Ela é o caminho para os jovens terem uma interação maior com a inovação. O grande problema é que a tecnologia, a tecnologia da informação, não faz parte do currículo das escolas brasileiras. TI. Então, como podemos querer que o País se desenvolva e seja um player internacional na área tecnológica? Junte-se a isso o fato do Brasil ter atingido sua pior posição competitiva.
Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, o País perdeu 33 posições no ranking em apenas quatro anos. Este é um ponto de reflexão."A cooperação no cenário tecnológico - "As empresas que desejam se distinguir no mercado global têm de trabalhar em processo cooperativo. A cooperação é uma tendência, mas entre as empresas brasileiras o nível é baixíssimo! O que mais vemos é uma puxando a corda para seu lado e achando que a outra pode roubar o mercado, quando, na verdade, elas deveriam pensar em conjunto, em formas de aumentar o mercado, que é um mercado global. E quando falo de cooperação, é cadeia de valor, um supply chain organizado, setores diferentes trabalhando em conjunto, buscando novas tecnologias.
Quer um exemplo? Hoje em dia, a Embraer não desenvolve tecnologia sozinha, ela desenvolve em cooperação com seus fornecedores. Porque aí ela consegue algo valoroso.
Empresas que estão buscando no processo de desenvolvimento da inovação individual a chave para ganhar mercado correm risco de investir demais!"Inovação e capital de risco - "As empresas acham que é impossível fazer inovação sem capital de risco, mas não é bem assim. Existem, hoje, as parceiras, a cooperação, as metodologias lean, que permitem o desenvolvimento da inovação em pedaços pequeninos, com custos baratos, para ir aprendendo e errando com pouco dinheiro.O processo de inovação sobre o qual estamos falando agora é diferente do aplicado no século passado, em que a empresa desenvolvia sozinha, trancada dentro de quatro paredes, e que o produto só chegava no mercado depois dele pronto, muitas vezes anos depois. Isso não acontece mais nas empresas inovadoras.
"A hora das startups - "Não há dúvidas de que as startups têm lugar de destaque no mundo tecnológico de hoje. Em primeiro lugar porque como não têm a estrutura hierárquica de uma empresa formada, eles correm riscos, muitos riscos. Além disso, estão mais antenados com o mercado digital e como vivem com a tecnologia na mão, sabem de tudo o que está acontecendo. E são menos bitolados no mindset. Quem está dentro das organizações, hoje, são pessoas com hábitos mentais de executores. E quem está nas startups tem mindset de inovador, criativo. Daí a diferença."
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