A GOVERNANÇA DA FAMÍLIA EMPRESÁRIA

É cada vez mais difundida nos negócios a importância das boas práticas de governança corporativa como meio de garantir a sustentabilidade das empresas, através da proteção dos seus ativos e de sua imagem e da relação com seus stakeholders. As empresas familiares, contudo, estão sujeitas a outros desafios além desses, igualmente impactantes, na busca da longevidade. Enquanto a governança corporativa atua na empresa, promovendo o controle e a estabilidade, a governança familiar é um conjunto de acordos, políticas e estruturas que visam a dar estabilidade à família empresária.

Um bom sistema de governança familiar começa com o protocolo da família, um acordo firmado entre seus membros destinado a regrar situações como sucessão patrimonial, desenvolvimento das próximas gerações e gestão das relações e dos conflitos entre os integrantes. O protocolo deve basear-se na cultura e nos valores da família e considerar não só onde ela está no momento da sua elaboração, mas também quais objetivos pretende alcançar.

Uma estrutura fundamental de governança familiar é o conselho de família, um fórum de diálogo e decisões sobre as expectativas e condutas dos componentes. Cabe ao conselho zelar pelas histórias e pelos valores da família, incentivar a sua integração e familiar, definir os limites entre os interesses da família e da empresa, apoiar o desenvolvimento e a educação dos membros da família e estabelecer as diretrizes para a proteção patrimonial.

Um terceiro elemento é o family office, uma estrutura de apoio destinada desde a prestar serviços gerais, incluindo a gestão do patrimônio da família, objetivando a sua proteção e o seu crescimento. Em seu formato mais simples, funciona como uma espécie de concierge, cuidando de serviços pessoais, como o agendamento de viagens, a supervisão de afazeres domésticos e de serviços profissionais e a assessoria na declaração de Imposto de Renda. Pode ser mais abrangente, incluindo a administração dos ativos financeiros e imobiliários da família, atuando muitas vezes como um verdadeiro fundo de investimentos.

Implantar um bom sistema de governança familiar não é rápido nem fácil, mas o quanto antes a família empresária iniciar esse processo, melhores condições terão de enfrentar o desafio da longevidade.

 

Extraído da Revista ES Brasil | Coluna Família S/A | Edição 145 – página 29

Danielle Quintanilha e Adriano Salvi escrevem a coluna e são professores convidados da Fundação Dom Cabral.