ADAPTAÇÃO AO MERCADO – O que o setor de educação tem feito para atender seus clientes – empresas e profissionais


A crise econômica também atingiu um setor que vinha experimentando crescimento de dois dígitos até dois anos atrás. Diante da redução das verbas de treinamento, as escolas que oferecem cursos abertos e customizados de pós-graduação viram suas turmas diminuírem ou os participantes serem obrigados a custear suas mensalidades para continuarem os programas.

Jesuíno Irineu Argentino Júnior, diretor de pós-graduação latu sensu da Universidade Paulista (UNIP), conta que, nos últimos três anos, houve uma redução acentuada na formação de grupo corporativos, ou seja, turmas de alunos pertencentes a uma única empresa.

Redução menor tiveram os bolsistas de empresas em cursos para pessoas físicas. “As organizações não se esqueceram da importância de se preparar para uma retomada do crescimento e agora investem de forma mais seletiva em profissionais que não querem perder”, pondera. Ele afirma que, em 2015 e 2016, os crescimentos de 14,7% e 35,6%, respectivamente, deram-se com aumento da procura de cursos de pós-graduação por pessoas físicas.

Argentino considera que apesar dos desafios que se apresentam para o próximo ano, a retomada será em um ambiente de alta competitividade e as empresas precisarão de colaboradores capazes, atualizados e inovadores para enfrentar o mercado. “Muitas vezes, promover a capacitação de equipes já existentes gera resultados mais rápidos. Isso poderá estimular a volta dos investimentos em educação por parte das organizações e fortalecer os cursos corporativos”, acredita.

A Fundação Instituto de Administração (FIA) também sentiu o baque da redução dos investimentos empresariais nos cursos de especialização e notou a migração da contratação desse tipo de programa para uma iniciativa majoritariamente por parte da pessoa física. “São profissionais que desejam se manter em constante evolução, na administração da sua rede de contatos, na empregabilidade, com o claro objetivo de não depender da empresa em que trabalha para crescer e ascender profissionalmente”, pontua Francesco Querini, diretor de relações institucionais da FIA.

Na contramão desse movimento, a Fundação Dom Cabral (FDC) experimentou crescimento nos últimos dois anos. Em 2016, estima crescer 20% nas turmas de pós-graduação e tem expectativa semelhante em 2017. Aldemir Drummond, diretor-executivo da escola de negócios, acredita que isso tenha a ver com uma série de fatores, como a ideia de que nos momentos de crise as pessoas buscam uma formação individualmente até por uma questão de diferenciação no mercado. “Também há casos de pessoas que vieram de outras áreas, acabam trabalhando com gestão do negócio e precisam de uma formação na área de gestão”, aponta.

DIFERENCIAÇÃO

Para atrair essa parcela de profissionais que agora investe parcial ou integralmente em sua formação em cursos de pós-graduação, as escolas apostam em ambientes semelhantes aos das instituições internacionais ou em atualização constante dos currículos. A Universidade de Pittsburgh apostou numa parceria com a Universidade Mackenzie para oferecer seu MBA executivo aos profissionais de alta liderança das organizações.

Drummond, da FDC, também aposta na atualização constante da grade programática para manter a diferenciação. “Um ajuste fino é constante e, de tempos em tempos, fazemos uma análise maior com a introdução ou troca de disciplinas. Anualmente fazemos um reexame na grade total com o objetivo de buscar sinergias diferentes para os mesmos problemas, bem como a inclusão de novos temas e assim por diante”, explica. Já Querini comenta que a FIA vem estudando formas de desenvolver um núcleo comum aos seus programas, entregando conceitos e práticas aderentes à realidade atual sem descuidar das novas tendências que estão a moldar este novo mundo dos negócios.

Argentino Júnior, da UNIP, ressalta que as metodologias e sistemas pedagógicos devem acompanhar as exigências do mercado e as características das novas gerações. “A ideia é formar profissionais com conhecimento atual, inovadores, com consciência de seu potencial e que realmente farão a diferença diante das mudanças do mundo do trabalho, que se apresentam para todos”, conceitua.

Para ele, os programas corporativos continuarão a ser construídos em conjunto com as contratantes e é responsabilidade da instituição de ensino levar todas as características de qualidade  e atualidade para dentro das empresas.

Por Vanderlei Abreu | Revista Melhor | Edição nº 349 – dezembro de 2016