Na empresa familiar, as relações pessoais e profissionais estão intimamente ligadas. A forma com que os membros da família se relacionam será possivelmente reproduzida no ambiente organizacional. Por mais que exista um discurso de profissionalismo, de separação entre a família e o negócio, se a relação não tiver como base a confiança, provavelmente haverá uma confusão de sentimentos, e a empresa poderá ser impactada.

Se as relações familiares são de confiança e respeito, priorizam o diálogo, aceitam as diferenças e acolhem opiniões divergentes, possivelmente isso também ocorrerá nos assuntos relacionados ao negócio. Caso, entretanto, tais relações sejam muito conflituosas, desrespeitosas e repletas de desconfiança, é bem provável que as relações nos negócios também sejam.

Em uma empresa familiar, cujos objetivos são a continuidade e o crescimento do negócio através das gerações, há que se investir na construção de relações de confiança, e para isso o diálogo é um bom aliado para prevenir e tratar questões incômodas, que podem gerar desconfiança e mal-estar. Há que se ter muita transparência quanto às intenções, às expectativas e às ações implementadas no negócio.

A falta de esclarecimento sobre as intenções de uma ação, ou até mesmo de um comentário, pode ser desastrosa, gerando mal-entendidos e, em situações extremas, até mesmo rompimentos. Ter um espaço para a fala, que cada um possa expor com clareza o seu posicionamento, cria um clima de transparência nas relações e propicia que a confiança se estabeleça entre as partes.

Os membros familiares necessitam manter uma relação de união em torno dos propósitos, valores e objetivos do negócio. Relações de confiança frágeis ou parciais tornam a convivência sujeita ao rompimento a qualquer e comprometem o futuro do empreendimento. Se os membros da família mantiverem um forte sentimento de confiança mútua, estarão mais dispostos a superar os desafios a se comprometer efetivamente com o resultado do empreendimento, e esse é, indubitavelmente, o primeiro determinante para a longevidade e o sucesso da empresa familiar ao longo de gerações.

Autor: Profª. Danielle Quintanilha – FDC
Fonte: Revista ES Brasil – edição 141 | maio 2017 | Coluna Família S/A